Na sequência da valiosa doação do senhor Carlos Marques, de um galhardete alusivo ao primeiro encontro internacional feminino, disputado entre o nosso país e a Suíça, e após o sempre necessário trabalho de investigação, é já possível contar a história do momento.
Com efeito, o evento teve lugar em Lisboa, no então denominado Pavilhão dos Desportos, hoje Pavilhão Carlos Lopes, no dia 8 de novembro de 1958.
Aproveitando a presença da delegação helvética na Península Ibérica, para onde se deslocou para participar no Torneio Internacional de Barcelona, a Federação Portuguesa de Ténis de Mesa, então presidida por Luís Filipe Arsénio Castelo Branco Chaves, endereçou convite à congénere suíça para a realização de dois encontros entre as equipas nacionais dos dois países.
Aceite o convite, os suíços viajaram para Lisboa, e na tarde daquele sábado, foi muito o público amante da modalidade que se deslocou ao parque Eduardo VII, para assistir ao evento. No encontro de senhoras, a que diz respeito a peça que se encontra agora no Micro Museu ATML, a equipa nacional foi constituída por Nelly Runa e Marília Santamarina, ambas do Sporting CP, tendo a Suíça apresentado, Monique Jaquet e Vera Kaszdorf, a convocatória desta última jogadora de nascimento húngara, causou à época alguma polémica, segundo as fontes consultadas, entre os meios suíços “que tinham uma conceção mais rígida de equipa nacional”, por oposição aqueles que “colocam os resultados em primeiro plano”. O certo é que Vera Kaszdorf, havia dois anos que deixara de representar a equipa magiar, e defendia as cores do TTC Bâle, sendo referenciada pelos suíços “como excelente jogadora”. No entanto, os helvéticos, não entendiam bem que outra húngara de nascimento, a alinhar no Saint-Gall, de seu nome Lajos Antal, que havia vencido em cinco torneios nacionais consecutivos – Lucerne, Bienne, Fribourg, Zurich e Mannedorf – tivesse ficado de fora da convocatória.
O desfecho deste I Portugal x Suíça, saldou-se numa derrota por 3:0, para as cores nacionais, fruto dos seguintes parciais: Nelly Runa x Vera Kaszdorf, 0:2 (-14,-20); Marília Santamarina x Monique Jaquet, 0:2 (--11,-13); a partida de pares disputada pelas mesmas jogadoras terminou também com 0:2 (-22,-13).
No encontro entre homens, o segundo entre os dois países, Portugal, fez alinhar Alberto Ló e Manuel Carvalho, ambos do SL Benfica; e ainda António Osório, do Sporting Clube de Portugal; sendo suplente o então jovem José Louro, também do SL Benfica. Por sua vez a Suíça apresentou Urchetti, Mariotti e Steckler; sendo suplente Meyer de Stadelhofen. Aqui a história foi diferente e o resultado final, traduziu-se numa vitória lusa, por 5:2, com Ló, a levar de vencidos os três opositores, sempre por 2:0 – Urchetti, (16,7); Mariotti, (12,16) e Steckler (6,11). Os outros dois pontos portugueses foram assegurados por António Osório, também sempre por 2:0 - Urchetti, (13,18); e Steckler, (13,17). Manuel Carvalho, concedeu os pontos suíços com derrotas sempre por 2:0, primeiro frente a Urchetti, (-17,-9); e depois perante Mariotti, (-18,-23).
O dia encerrou com um torneio individual, que se concluiu com as seguintes classificações: Homens – 1.º Alberto Ló; 2.º Urchetti; 3.º António Osório e Marchetti; 5.º Meyer de Stadelhofen, Stecler, José Louro e Manuel Carvalho. De referir como curiosidade, que o suíço Meyer de Stadelhofen, havia sido semifinalista no Torneio Internacional de Barcelona. Mulheres – 1.ª Vera Kaszdorf; 2.ª Nelly Runa; 3.ª Monique Jaquet e Marília Santamarina.
E pronto fica partilhada a história do galhardete de 1958, com a certeza de que mais uma vez contribuímos para a fixação da memória histórica da nossa modalidade.





